Violação do código de ética: Escândalo da Cambridge Analítica

 Um exemplo de antiética no universo de TI foi o escândalo da Cambridge Analytica em 2018. A empresa de consultoria política utilizou dados de milhões de usuários do Facebook sem o consentimento dessas pessoas, para criar perfis psicológicos e personalizados e, posteriormente, influenciar as eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. Esse caso levantou preocupações sobre a privacidade dos dados pessoais dos usuários e a manipulação da opinião pública por meio da tecnologia.


A empresa obteve esses dados por meio de um aplicativo de quiz psicológico chamado "This Is Your Digital Life", que foi desenvolvido por um pesquisador da Universidade de Cambridge, Aleksandr Kogan. O aplicativo foi usado por cerca de 270 mil usuários do Facebook, mas, devido a uma falha de segurança, a Cambridge Analytica conseguiu coletar dados de milhões de usuários do Facebook, incluindo informações pessoais, como nome, localização, interesses e amigos.

Os dados coletados foram usados para criar perfis psicológicos e personalizados, que foram usados para direcionar anúncios políticos e campanhas de desinformação nas eleições presidenciais dos Estados Unidos em 2016. O escândalo levantou preocupações sobre a privacidade dos dados pessoais dos usuários e a manipulação da opinião pública por meio da tecnologia.

Após o escândalo, o Facebook enfrentou duras críticas e uma investigação por parte das autoridades regulatórias dos Estados Unidos e da Europa. O CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, testemunhou perante o Congresso dos Estados Unidos e prometeu tomar medidas para proteger a privacidade dos usuários do Facebook. O caso também resultou em mudanças significativas nas políticas de privacidade do Facebook e em um aumento da conscientização sobre a importância da privacidade dos dados na era digital.

O código de ética da ACM (Association for Computing Machinery) contém vários princípios que são relevantes para o escândalo da Cambridge Analytica e a violação de privacidade dos usuários do Facebook. Abaixo estão alguns mandamentos do código de ética da ACM que são abordados nesse assunto:

  1. Proteger a privacidade e segurança das informações pessoais dos usuários: a Cambridge Analytica violou a privacidade dos usuários do Facebook ao coletar dados sem o consentimento dos usuários e usá-los para fins políticos.
  2. Evitar danos aos usuários: a manipulação da opinião pública e a disseminação de informações enganosas podem causar danos aos usuários.
  3. Ser honesto e transparente sobre as políticas de coleta de dados e privacidade: a Cambridge Analytica não foi transparente sobre suas práticas de coleta de dados, o que levou a um grande escândalo quando essas práticas foram reveladas.
  4. Respeitar a propriedade intelectual e os direitos autorais: a Cambridge Analytica usou dados que não eram de sua propriedade sem permissão, o que viola os direitos autorais e de propriedade intelectual dos usuários do Facebook.

Fontes:

Reportagem do The Guardian: https://www.theguardian.com/news/2018/mar/17/cambridge-analytica-facebook-influence-us-election

Matéria da BBC News: https://www.bbc.com/news/technology-43465968

Artigo da revista Wired: https://www.wired.com/story/cambridge-analytica-extracting-facebook-data-election/

Documentário da Netflix intitulado "Privacidade Hackeada" (The Great Hack): https://www.netflix.com/title/80117542

Site oficial da Comissão de Proteção de Dados Pessoais do Reino Unido sobre a investigação do caso: https://ico.org.uk/about-the-ico/news-and-events/news-and-blogs/2018/07/ico-announces-final-conclusion-of-investigation-into-cambridge-analytica/


Post by: Eduardo Godoy e Ricardo Egídio

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Principais projetos de lei para a regulamentação da profissão em Informática